Perdono
Sì, quel che è fatto è fatto, io però chiedo
Scusa
Regalami un sorriso e io ti porgo una
Sanderlei Silveira - 22/06/2023 - US
Perdono
Sì, quel che è fatto è fatto, io però chiedo
Scusa
Regalami un sorriso e io ti porgo una
Rosa
Su questa amicizia nuova pace si
Posa
Perché so come sono infatti chiedo
Perdono
Sì, quel che è fatto è fatto, io però chiedo
Scusa
Regalami un sorriso e io ti porgo una
Rosa
Su questa amicizia nuova pace si
Posa
Perdono
[Strofa 1]
Con questa gioia che mi stringe il cuore
A quattro cinque giorni da Natale
Un misto tra incanto e dolore
Ripenso a quando ho fatto io del male
E di persone ce ne sono tante
Buoni pretesti sempre troppo pochi
Tra desideri, labirinti e fuochi
Comincio un nuovo anno io chiedendoti
[Ritornello]
Perdono
Sì, quel che è fatto è fatto, io però chiedo
Scusa
Regalami un sorriso e io ti porgo una
Rosa
Su questa amicizia nuova pace si
Posa
Perché so come sono infatti chiedo
Perdono
Sì, quel che è fatto è fatto, io però chiedo
Scusa
Regalami un sorriso e io ti porgo una
Rosa
Su questa amicizia nuova pace si
Posa
Perdono
[Strofa 2]
Dire che sto bene con te è poco
Dire che sto male con te.. è un gioco!
Un misto tra tregua e rivoluzione
Credo sia una buona occasione
Con questa magia di Natale
Per ricordarti quanto sei speciale
Tra le contraddizioni e i tuoi difetti
Io cerco ancora di volerti
[Ritornello]
Perdono
Sì, quel che è fatto è fatto, io però chiedo
Scusa
Regalami un sorriso e io ti porgo una
Rosa
Su questa amicizia nuova pace si
Posa
Perché so come sono infatti chiedo
Perdono
Sì, quel che è fatto è fatto, io però chiedo
Scusa
Regalami un sorriso e io ti porgo una
Rosa
Su questa amicizia nuova pace si
Posa
Perdono
[Bridge]
Qui l'inverno non ha paura (Io senza di te un po' ne ho)
Qui la rabbia è senza misura (Io senza di te, non lo so)
E la notte balla da sola (Senza di te non ballerò)
Capitano abbatti le mura (Che da solo non ce la farò)
[Ritornello]
Perdono
Sì, quel che è fatto è fatto, io però chiedo
Scusa
Regalami un sorriso e io ti porgo una
Rosa
Su questa amicizia nuova pace si
Posa
Perché so come sono infatti chiedo
Perdono
Sì, quel che è fatto è fatto, io però chiedo
Scusa
Regalami un sorriso e io ti porgo una
Rosa
Su questa amicizia nuova pace si
Posa
Perdono
Perdão
Sim, o que está feito está feito, mas eu pergunto
Com licença
Dê-me um sorriso e eu vou te dar um
Rosa
Nessa amizade nova paz sim
pose
Porque eu sei como eu sou na verdade eu pergunto
Perdão
Sim, o que está feito está feito, mas eu pergunto
Com licença
Dê-me um sorriso e eu vou te dar um
Rosa
Nessa amizade nova paz sim
pose
Perdão
[Verso 1]
Com esta alegria que aperta meu coração
Quatro cinco dias do Natal
Uma mistura de encantamento e dor
Eu penso em quando eu me machuquei
E há muitas pessoas
Boas desculpas sempre muito poucas
Entre desejos, labirintos e fogos
Eu começo um novo ano pedindo a você
[Refrão]
Perdão
Sim, o que está feito está feito, mas eu pergunto
Com licença
Dê-me um sorriso e eu vou te dar um
Rosa
Nessa amizade nova paz sim
pose
Porque eu sei como eu sou na verdade eu pergunto
Perdão
Sim, o que está feito está feito, mas eu pergunto
Com licença
Dê-me um sorriso e eu vou te dar um
Rosa
Nessa amizade nova paz sim
pose
Perdão
[Verso 2]
Dizer que estou bem com você é um eufemismo
Dizer que sou ruim com você.. é um jogo!
Uma mistura entre trégua e revolução
acho que é uma boa oportunidade
Com esta magia de Natal
Para lembrá-lo de como você é especial
Entre contradições e suas falhas
Eu ainda tento te querer
[Refrão]
Perdão
Sim, o que está feito está feito, mas eu pergunto
Com licença
Dê-me um sorriso e eu vou te dar um
Rosa
Nessa amizade nova paz sim
pose
Porque eu sei como eu sou na verdade eu pergunto
Perdão
Sim, o que está feito está feito, mas eu pergunto
Com licença
Dê-me um sorriso e eu vou te dar um
Rosa
Nessa amizade nova paz sim
pose
Perdão
[Pontes]
Aqui o inverno não tem medo (tenho alguns sem você)
Aqui a raiva não tem medida (eu sem você não sei)
E a noite dança sozinha (sem você não danço)
Capitão derrubar as paredes (eu não vou fazer isso sozinho)
[Refrão]
Perdão
Sim, o que está feito está feito, mas eu pergunto
Com licença
Dê-me um sorriso e eu vou te dar um
Rosa
Nessa amizade nova paz sim
pose
Porque eu sei como eu sou na verdade eu pergunto
Perdão
Sim, o que está feito está feito, mas eu pergunto
Com licença
Dê-me um sorriso e eu vou te dar um
Rosa
Nessa amizade nova paz sim
pose
Perdão
Mas isso não importa muito. O tatu gigante não aparece tantas vezes assim ao ponto de realmente atrapalhar a narrativa mais do que cinética dos parcos – mas muito bem utilizados – seis episódios da série. O que realmente faz diferença está intacto no trabalho de Zerocalcare, ou seja, sua maneira peculiar e difícil, mas impressionantemente perfeita de narrar uma vida comum em uma história que tem o potencial de nos levar das risadas às lágrimas muito facilmente, mas nunca em razão de sentimentos menos do que próximos ao nosso peito.
Entrelinhas Pontilhadas (Strappare Lungo i Bordi – Itália, 17 de novembro de 2021)
Criação: Zerocalcare
Direção: Zerocalcare
Roteiro: Zerocalcare
Elenco (vozes originais): Zerocalcare, Valerio Mastandrea, Paolo Vivio, Chiara Gioncardi, Veronica Puccio, Ambrogio Colombo, Michele Foschini, Ezio Conenna, Alessandra Sani
Duração: 115 min. (seis episódios)
“Entrelinhas pontilhadas” parece ser o lamento de uma geração que ainda não decidiu quem quer ser, que achou que podia não escolher e que o tempo para se definir podia ser adiado ao infinito, apenas para depois se dar conta de que o tempo voou e foi habitado por um nada indefinido.
O comentário é de Paolo Benanti, frei franciscano da Terceira Ordem Regular, professor da Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, e acadêmico da Pontifícia Academia para a Vida. Em português, é autor de “Oráculos: entre ética e governança dos algoritmos” (Ed. Unisinos, 2020).
O artigo foi publicado em Settimana News, 19-06-2022. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eis o texto.
Estas linhas são uma reação muito pessoal minha ao assistir a série da Netflix “Entrelinhas pontilhadas”, de Zerocalcare, que eu vi toda de uma vez só. Não são um comentário: não pretendo que algumas das coisas que escrevo estejam realmente nas intenções do autor ou na estrutura da obra.
A obra de Zerocalcare é romana. Com isso, quero dizer que ele fala de um contexto urbano plural e diferente, que também é a matriz da minha vida. Aqui, não quero nem tocar nas inúteis e estéreis polêmicas de quem, para não pensar na dura verdade da obra, se apega à língua ou à dicção... enquanto o dedo aponta para a lua, alguns olham para os fonemas e as terminações das palavras.
Uma advertência: eu vi toda a série e vou falar sobre isso. Se você não a viu, aqui eu vou dar spoilers. Se você não quer spoilers, não siga em frente.
A série
Toda a série gira em torno de um relato que descreve a condição dos chamados NEETs. Esse acrônimo que se refere a “Not in Education, Employment or Training” é um indicador socioeconômico utilizado para identificar aquela parte da população jovem (entre os 15 e os 37 anos) que não está nem empregada nem inserida em um percurso de instrução ou formação. Em 2010, na Itália, mais de dois milhões de jovens eram NEETs (o percentual mais elevado da Europa).
A última crise econômica atingiu duramente os jovens adultos italianos, tornando mais difícil a passagem deles para o trabalho e condenando-os a serem NEETs. Uma série de estudos específicos sobre a Itália mostra que o status ocupacional, as formas de viver o tempo cotidiano e a satisfação de vida e de saúde dos jovens estão associados. A percepção e a satisfação da saúde dos jovens adultos NEETs caracteriza-se pela inatividade, mal-estar, insatisfação e uma dimensão incerta do futuro.
“Entrelinhas pontilhadas” nos faz perceber e viver a condição de crise à qual relegamos uma geração. Terminado o percurso de instrução – superior ou até mesmo ultraespecializado, com o doutorado como para Alice, abre-se um presente sem tempo. Um tempo-não-tempo em que a definição de si mesmo, incluindo a profissionalização (e aqui não é secundário lembrar que, em alemão, por exemplo, profissão e vocação têm a mesma raiz em Beruf e Berufung, ou seja, aquilo que eu sou é dito e encarnado por aquilo que faço), não define quais figuras ou, melhor, quais silhuetas emergiram daquela folha de papel branco, ou seja, daquelas possibilidades gerais que caracterizam a infância e se transformam assim que entramos na idade adulta.
“E então nós caminhávamos devagar porque achávamos que a vida funcionava assim, que bastava rasgar ao longo das margens, pouco a pouco, seguir a linha pontilhada daquilo a que estávamos destinados e tudo tomaria a forma que tinha que ter. Porque tínhamos 17 anos e todo o tempo do mundo” (Zerocalcare).
O grito de uma geração
“Entrelinhas pontilhadas” é um profundo lamento de uma geração de jovens condenados a não serem adultos e a não se definirem. Certamente, não só por culpa daqueles que já são adultos, mas também pelos medos e pelas obsessões que caracterizam a chamada geração Y, isto é, os nascidos entre o início dos anos 1980 e o fim dos anos 1990.
De acordo com inúmeros estudos sociológicos, as características dessa geração e daqueles que fazem parte dessa geração são difíceis de gerir, acham que tudo lhes é devido, têm traços narcisistas e egoístas, e são dispersivos e preguiçosos. Jovens que muitas vezes se encontram na condição de ter tudo o que gostariam de ter, mas igualmente de serem infelizes, e isso porque há quatro fatores que influenciaram o crescimento daqueles que fazem parte dessa geração e que tiveram consequências bem específicas.
O primeiro fator são as estratégias falimentares de educação familiar, que se caracterizaram pelo fato de que, sendo filhos de um bem-estar econômico generalizado, cresceram ouvindo que eram especiais e que “podiam ter tudo o que quisessem da vida, só pelo fato de o quererem”. Isso teve o efeito de não os preparar para a vida real. As cenas com a professora que produz frustração em Zero pela ideia de ter decepcionado as suas expectativas, não sendo realmente especial como todos lhe diziam, talvez seja uma encarnação magistral de tudo isso.
Por isso, “Entrelinhas pontilhadas” parece ser o lamento de uma geração que ainda não decidiu quem quer ser, que achou que podia não escolher e que o tempo para se definir podia ser adiado ao infinito, apenas para depois se dar conta de que, como canta Tiromancino, o tempo voou e foi habitado por um nada indefinido: a cena da ex-estudante de tutoria que tem uma vida e trabalha, ou seja, não é uma NEET, gera uma crise em Zerocalcare, que se descobre, apesar de si mesmo, ainda NEET.
“Em vez disso, debaixo dos nossos olhos, temos apenas estes papéis sem sentido, que eu sei que estão muito longe da forma como imaginávamos. Eu não sei se isto ainda é uma batalha ou se foi assim mesmo que descobrimos que é possível se virar com estas formas irregulares, aceitando que nunca nos farão jogar no time dos ordenados e pacificados. Mas se mesmo assim pudéssemos nos apertar ao redor do fogo e lembrar que todos os pedaços de papel são bons para se aquecer... E, às vezes, esse fogo te basta, outras vezes, não” (Zerocalcare).
O que vem à tona é o grito de quem não consegue fazer o que Marco Paolini intima aos jovens em “Aprile ’74 e 5 Rugby”:
“Eu estou falando de juventude, estou falando de adolescentes, de rapazes que tinham pressa de se tornar adultos.
Adulto é o particípio passado do verbo ‘adolescere’, aquele que acabou de crescer. Hoje, eu conheço mais adúlteros do que adultos, adúlteros de si mesmos, obviamente.
O que vou contar a vocês nesta noite é a história de um grupo de rapazes que tinham pressa de entrar em um mundo adulto que envelheceu sem ser adulto. O meu, o nosso país hoje é isso. É o mais velho do planeta, e o olhamos sem nem sequer perceber o que temos debaixo dos nossos olhos. Sim, temos debaixo dos nossos olhos a mudança da paisagem, mas não a lemos em nós, por quê? Porque nós não podemos nos sentir velhos.
Segundo os italianos, envelhecemos aos 83 anos. Como a expectativa de vida é de 81, segundo os italianos nós envelhecemos depois de mortos!
Eu gostaria de pedir aos meus coetâneos, em primeiro lugar, que ‘saiam do armário’: declarem-se adultos. Renunciem a essa ideia de juventude que nos é vendida cotidianamente, porque há uma confusão genética monstruosa.
Adulto é aquele que jogou com as possibilidades e tem que viver com aquilo que tem: o resto que se dane. Aquilo que você é em potência quando é jovem, você não tem depois. Se você não entende isso, se você impede a quem vem depois que o ultrapasse, porque você, embalado pelo sonho dessa eterna juventude, rouba constantemente tudo o que é produzido por quem vem depois de você, vestindo-o de várias maneiras ao seu redor, você está criando um bloco monstruoso, que nos impede de ler a realidade.
Declarem-se adultos, assumam as responsabilidades.”
“Porque, se algo tem que acontecer, acontece. Toda essa pressa para fazer as coisas acontecerem, foi o capitalismo quem inventou” (Tatu).
Há uma música do Pink Floyd, “Mother”, que mostra que a mãe sobre a qual se canta no texto tem ansiedade demais para permitir a autonomia ao filho. Quando ele pede garantias, ela as fornece, mas ao mesmo tempo o priva da liberdade de escolher. Para a criança/adolescente, não há escolha a não ser a rebelião. Todo o álbum “The Wall” fala da rebelião contra a mãe e a sociedade.
Eis as palavras da música do Pink Floyd:
“Silêncio agora, bebê, não chore. Mamãe fará com que todos os seus pesadelos se tornem realidade. Mamãe vai incutir todos os seus medos em você. Mamãe vai mantê-lo seguro bem aqui debaixo da sua asa. Ela não vai deixar você voar, mas talvez deixe você cantar. Mamãe vai manter seu bebê aninhado e aquecido. Ooooh, bebê, ooooh, bebê, oooooh, bebê, é claro que mamãe vai ajudá-lo a construir o muro.”
Esse conflito resolvido com as figuras parentais, caminho para uma vida de equilíbrio, falta a Zero. A mãe, a quem se deve satisfazer (o pai nunca aparece), ou que deve ficar orgulhosa, ou a quem nunca se deve decepcionar, porém, é a solução e a tábua de salvação que recupera e ajuste os fracassos do filho: a cena do carro e do torcicolo é magistral.